segunda-feira, 6 de julho de 2020

Entidades beneficentes correm risco de fechar as portas no DF

A queda de doações preocupa entidades que atuam no socorro a famílias carentes; a primeira semana de junho registrou o menor volume de doações desde o início do mapeamento  

A pandemia do Covid-19 tem afetado muitas famílias, especialmente nas famílias mais carentes. E as entidades beneficentes, que costumam assistir crianças, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade, também estão passando por apertos para conseguir manter os serviços prestados aos assistidos. Duas razões tem ajudado a piorar a situação de quem depende de doações: o isolamento, que tem feito as pessoas evitarem sair de casa e a retração econômica, que tem levado os doadores a segurar as finanças.

A queda de doações já começa a preocupar entidades que atuam no socorro a famílias carentes. Segundo dados do site Monitor das Doações, a primeira semana de junho registrou o menor volume de doações desde o início do mapeamento. Foram apenas 81 milhões de reais em novas doações (dados atualizados pela Associação Brasileira de Captadores de Recursos /ABCR). “As pessoas se mobilizaram num primeiro momento, mas agora, me parece que começam a se acostumar com a tragédia”, afirma Jorge Eduardo Deister, coordenador da Vila do Pequenino Jesus, que atende pessoas com deficiências físicas e neurológicas.

Segundo Jorge Eduardo, muitas instituições estão correndo o risco, inclusive, de fechar as portas devido a falta de condições para manter despesas básicas, como aluguel, funcionários, remédios e até alimentos. Jorginho, como é conhecido, afirma que recebe semanalmente dezenas de ligações de outras entidades que não tem mais condições de manter os serviços. ”Percebemos um achatamento maior na curva de doações do que na curva de infectados; e os problemas enfrentados pelos mais vulneráveis estão longe de acabar”, alerta Jorge Deister.

Outro problema enfrentado pelas entidades diz respeito aos eventos, que costumam ser uma das formas de captação de recursos para as entidades assistenciais. Com a proibição de aglomerações, os eventos estão cancelados ou suspensos. “A maioria dos eventos nos últimos tempos contavam com arrecadação de alimentos, cobertores e outras coisas para doações, e com o cancelamento dos eventos, não temos o que fazer”, afirma Andreia Arantes, da Eleva Produção.

As soluções existem e passam pela mobilização da sociedade civil.  O Youtuber Renan Bolsonaro visitou a entidade, recentemente, e se solidarizou com a necessidade que a instituição enfrenta para manter a saúde e a qualidade de vida dos assistidos, especialmente durante a pandemia. “Tenho certeza que podemos contribuir com esta e outras entidades pelo País, mobilizando artistas e celebridades, levantando recursos que podem salvar milhares de vidas”, afirmou o Youtuber, que baseado nisso tudo resolveu promover um evento esportivo solidário online.

O evento, que contará com a participação de 40 cantores e celebridades nacionais, e patrocínios de grandes empresas favoráveis ao movimento, está previsto para ser realizado na Arena do Estádio Nacional de Brasília. Os produtores esperam uma arrecadação grandiosa que beneficiará dezenas de instituições pelo país. A documentação já está em posse do Estádio, aguardando apenas autorização dos responsáveis.

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